Exportações

Embarques do agro ao golfo caem 25% com guerra no Oriente Médio

Paulo Whitaker/Reuters
Embarques do agro ao golfo caem 25% com guerra no Oriente Médio
Carne bovina in natura para exportação da Marfrig

As exportações do agronegócio brasileiro ao Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) caíram 25,38% em março, mas acumulam alta de 6,8% no primeiro trimestre de 2026, um valor acumulado de US$ 1,44 bilhão em embarques.

O frango, principal item exportado para a região, recuou 13,80% no mês, para US$ 185,50 milhões, mas só 2,32% no trimestre, o que soma US$ 619,12 milhões. O açúcar, segundo principal produto, recuou 43,37% em março, para US$ 54,07 milhões, mas avançou 26,41% no ano, para US$ 363,11 milhões.

Por outro lado, a carne bovina destoou, com alta de 23,87% no mês mais intenso do conflito, para US$ 47,75 milhões, além do avanço de 65,29% no trimestre, para US$ 194,56 milhões. Os embarques de café também registraram alta de 34,24% no mês de março, para US$ 9,97 milhões, e de 64,3% no trimestre, para US$ 49,58 milhões no acumulado.

O milho foi o item mais prejudicado pelo o conflito e praticamente deixou de ser embarcado ao bloco em março, com queda de 99,96%, para US$ 0,03 milhão. Embora o recuo no acumulado ainda seja limitado a 5,8%, para US$ 61,22 milhões.

O recuo nas importações brasileiras de fertilizantes provenientes do CCG é um destaque sobre o comércio entre as regiões. No primeiro trimestre, as compras caíram 51,35%. A região responde por cerca de 10% do fertilizante adquirido pelo agronegócio brasileiro no exterior.

“Esse é um ponto que preocupa tanto o nosso agro quanto os países árabes, que dependem da capacidade do Brasil de vender a eles alimentos excedentes. É preciso buscar formas de minimizar esses impactos”, destacou Mohamad Orra Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 21,3 bilhões em produtos para os árabes, principalmente açúcar, carnes, milho e minério de ferro, segundo dados da plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e  Serviços. O agronegócio responde por cerca de 75% das vendas para a região.

Fonte: Kaique Cangirana, CNN Brasil

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